Será que você e sua família podem consumi-los sem risco à saúde? Simone Tinti
Toda mãe, mais cedo ou mais tarde, introduz legumes, frutas e verduras na dieta do filho. No primeiro ano, por meio das papinhas. Depois, além de cozidos, eles também são consumidos crus. 'As hortaliças são importantes porque têm minerais, vitaminas e fibras', afirma o nutrólogo e cardiologista Daniel Magnoni, do Hospital do Coração de São Paulo.Mas o excesso de agrotóxicos pode prejudicar a fama de alimentos saudáveis. É o que apresentou um levantamento do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), coordenado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em parceria com as Secretarias Estaduais de Saúde. Os dados, levantados em 2007, indicam que o tomate, o morango e a alface apresentaram alto índice residual de agrotóxicos e uso de substâncias não autorizadas.Antes de os pais se assustarem com o resultado da pesquisa, Anthony Wong, chefe do Departamento de Toxicologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica que os agrotóxicos citados na pesquisa da Anvisa - metamidofós e monocrotofós - não se acumulam no organismo. Mas, mesmo assim, é importante tomar cuidados ao consumir hortaliças em geral, pois herbicidas e metais pesados são muito prejudiciais. 'Em níveis muito altos, 50 ou 100 vezes maiores que o permitido, há substâncias que podem causar efeitos indesejáveis como cólicas, entre outros', diz o médico. Uma saída para evitar o risco de contaminação seria adotar o consumo de produtos orgânicos . Quando não for possível comprá-los, a solução é higienizar as hortaliças rigorosamente. 'A dica é lavá-las com água, sabão e bucha ou escovinha. Com isso, é possível minimizar a presença de alguns tipos de agrotóxicos que penetram apenas na casca do alimento, além de evitar a contaminação por coliformes fecais', diz Ana Maria Resende Junqueira, professora da Faculdade de Agronomia da Universidade de Brasília (UnB).-
Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u394205.shtml
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Planta que cresce em locais contaminados mostra caminho para recuperar solo
21/04/2008 - 13h04
da Efe, em Madri
Uma planta herbácea que cresce em terrenos contaminados com metais pesados está ajudando cientistas a entenderem como recuperar este tipo de solo, diz um estudo publicado nesta segunda-feira (21) pela revista britânica "Nature". As pesquisas genéticas realizadas pela Universidade alemã de Heidelberg têm como finalidade destrinchar os mistérios da Arabidopsis halleri, uma das poucas plantas adaptadas a este tipo de terreno. A Arabidopsis halleri, uma herbácea pouco comum da família brassicacea, extrai do solo as substâncias tóxicas e, por meio de um sistema de bombeamento, as envia das raízes para as folhas, onde se concentram para defender a planta de insetos e de agentes patogênicos. Os cientistas alemães descobriram que esta planta tem três cópias do gene HMA4 quando a compararam com sua irmã, a Arabidopsis thaliana, que só tem um e que não consegue sobreviver em locais contaminados com metais pesados, diz o estudo.
Quando este gene foi transplantado para a Arabidopsis thaliana, ela se tornou mais resistente aos metais pesados, mas não o suficiente. A autora principal do estudo, Ute Kraemer, explicou que há outros genes envolvidos no processo que ainda não foram totalmente identificados. No entanto, o efeito de acumulação e tolerância aos metais é muito amplo no HMA4, por isto a "boa notícia" é que o número de genes adicionais necessários para ter uma planta destas características é baixo (entre um e dez), acrescentou.
A pesquisadora alemã disse, que, por causa da pouca biomassa da Arabidopsis halleri, seria inviável economicamente limpar os terrenos contaminados com esta planta, já que em teoria seriam necessários aproximadamente cem anos para regenerar um solo moderadamente contaminado.
A solução é aumentar a produção de biomassa nesta variedade ou potenciar geneticamente outras plantas mais frondosas da mesma família da Brassica juncea (planta da mostarda) para que sobrevivam nestes terrenos inóspitos e se comportem como a Arabidopsis halleri. Os terrenos contaminados com metais pesados existem em grande quantidade no mundo e estão se transformando em um grave problema na Europa, sobretudo na Europa Oriental, na China e na Índia.
da Efe, em Madri
Uma planta herbácea que cresce em terrenos contaminados com metais pesados está ajudando cientistas a entenderem como recuperar este tipo de solo, diz um estudo publicado nesta segunda-feira (21) pela revista britânica "Nature". As pesquisas genéticas realizadas pela Universidade alemã de Heidelberg têm como finalidade destrinchar os mistérios da Arabidopsis halleri, uma das poucas plantas adaptadas a este tipo de terreno. A Arabidopsis halleri, uma herbácea pouco comum da família brassicacea, extrai do solo as substâncias tóxicas e, por meio de um sistema de bombeamento, as envia das raízes para as folhas, onde se concentram para defender a planta de insetos e de agentes patogênicos. Os cientistas alemães descobriram que esta planta tem três cópias do gene HMA4 quando a compararam com sua irmã, a Arabidopsis thaliana, que só tem um e que não consegue sobreviver em locais contaminados com metais pesados, diz o estudo.
Quando este gene foi transplantado para a Arabidopsis thaliana, ela se tornou mais resistente aos metais pesados, mas não o suficiente. A autora principal do estudo, Ute Kraemer, explicou que há outros genes envolvidos no processo que ainda não foram totalmente identificados. No entanto, o efeito de acumulação e tolerância aos metais é muito amplo no HMA4, por isto a "boa notícia" é que o número de genes adicionais necessários para ter uma planta destas características é baixo (entre um e dez), acrescentou.
A pesquisadora alemã disse, que, por causa da pouca biomassa da Arabidopsis halleri, seria inviável economicamente limpar os terrenos contaminados com esta planta, já que em teoria seriam necessários aproximadamente cem anos para regenerar um solo moderadamente contaminado.
A solução é aumentar a produção de biomassa nesta variedade ou potenciar geneticamente outras plantas mais frondosas da mesma família da Brassica juncea (planta da mostarda) para que sobrevivam nestes terrenos inóspitos e se comportem como a Arabidopsis halleri. Os terrenos contaminados com metais pesados existem em grande quantidade no mundo e estão se transformando em um grave problema na Europa, sobretudo na Europa Oriental, na China e na Índia.
Parabéns pelo seu dia, Zootecnistas!
13/05
O Zootecnista é um profissional responsável por grandes transformações nas Ciências Agrárias.
Parabéns pelo seu dia!
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segunda-feira, 5 de maio de 2008
Estudo usa veneno contra Alzheimer
Equipe da USP seleciona aranha para desenvolver novo remédio voltado a pacientes com doença degenerativa
Brás Henrique
Uma substância encontrada no veneno de uma aranha comum no cerrado brasileiro pode ser a chave para um novo medicamento destinado a pacientes com mal de Alzheimer e outras doenças degenerativas, como esquizofrenia e epilepsia. Pesquisa desenvolvida no câmpus da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, conseguiu separar uma substância produzida pela aranha Parawixia bistriata e, com o trabalho, impedir a morte de células do sistema nervoso.A equipe da USP extraiu a glândula do veneno da P. bistriata para separar suas moléculas. A substância afeta a quantidade de glutamato no sistema nervoso. O glutamato é um aminoácido responsável pela comunicação entre os neurônios, chamado de neurotransmissor. "Por algum motivo, a liberação em excesso do glutamato aumenta a estimulação e mata as células do sistema nervoso, que não se regeneram", diz o professor do Departamento de Biologia da USP Wagner Ferreira dos Santos, um dos pesquisadores envolvidos no trabalho.Como na aranha o glutamato é responsável pelos movimentos, foram coletadas várias espécies e feitas experiências em ratos, em laboratório, simulando crises convulsivas. A P. bistriata apresentou o melhor resultado em laboratório, já que a maioria dos ratos não desenvolveu doenças. Isso poderá, no futuro, evitar a progressão de doenças neurodegenerativas em humanos. "Os medicamentos existentes hoje diminuem a estimulação, mas não bloqueiam a morte celular dos neurônios, o que a pesquisa foi capaz de fazer", comemora Santos. "Não tínhamos idéia do mecanismo da ação do glutamato", comenta.Outro pesquisador, Joaquim Coutinho-Netto, da Faculdade de Medicina, diz que a pesquisa traz boas perspectivas, pois há 30 anos não se tem novidades na área e os medicamentos são do começo do século 20.
ETAPAS: Pesquisadores das faculdades de Medicina e de Filosofia, Ciências e Letras participam dos estudos, que começaram há 14 anos e ainda não foram concluídos. No momento, eles trabalham na estrutura química da molécula.Em seguida, será feita a síntese química, para produzir a molécula em laboratório, pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. Então, ensaios com animais deverão ser realizados para encontrar o melhor método de uso do medicamento (injetável, comprimido ou outro). Só depois seriam feitos testes em humanos. Com os investimentos necessários, o início dos testes em humanos deverá ocorrer em sete anos, diz Santos.Uma parte da pesquisa está sendo desenvolvida em Pittsburgh, na Pensilvânia (EUA), pela pesquisadora Andréia Cristina Karklin Fontana, que integra a equipe. O estudo foi publicado na revista americana Molecular Pharmacology no final de 2007.
Brás Henrique
Uma substância encontrada no veneno de uma aranha comum no cerrado brasileiro pode ser a chave para um novo medicamento destinado a pacientes com mal de Alzheimer e outras doenças degenerativas, como esquizofrenia e epilepsia. Pesquisa desenvolvida no câmpus da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, conseguiu separar uma substância produzida pela aranha Parawixia bistriata e, com o trabalho, impedir a morte de células do sistema nervoso.A equipe da USP extraiu a glândula do veneno da P. bistriata para separar suas moléculas. A substância afeta a quantidade de glutamato no sistema nervoso. O glutamato é um aminoácido responsável pela comunicação entre os neurônios, chamado de neurotransmissor. "Por algum motivo, a liberação em excesso do glutamato aumenta a estimulação e mata as células do sistema nervoso, que não se regeneram", diz o professor do Departamento de Biologia da USP Wagner Ferreira dos Santos, um dos pesquisadores envolvidos no trabalho.Como na aranha o glutamato é responsável pelos movimentos, foram coletadas várias espécies e feitas experiências em ratos, em laboratório, simulando crises convulsivas. A P. bistriata apresentou o melhor resultado em laboratório, já que a maioria dos ratos não desenvolveu doenças. Isso poderá, no futuro, evitar a progressão de doenças neurodegenerativas em humanos. "Os medicamentos existentes hoje diminuem a estimulação, mas não bloqueiam a morte celular dos neurônios, o que a pesquisa foi capaz de fazer", comemora Santos. "Não tínhamos idéia do mecanismo da ação do glutamato", comenta.Outro pesquisador, Joaquim Coutinho-Netto, da Faculdade de Medicina, diz que a pesquisa traz boas perspectivas, pois há 30 anos não se tem novidades na área e os medicamentos são do começo do século 20.
ETAPAS: Pesquisadores das faculdades de Medicina e de Filosofia, Ciências e Letras participam dos estudos, que começaram há 14 anos e ainda não foram concluídos. No momento, eles trabalham na estrutura química da molécula.Em seguida, será feita a síntese química, para produzir a molécula em laboratório, pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. Então, ensaios com animais deverão ser realizados para encontrar o melhor método de uso do medicamento (injetável, comprimido ou outro). Só depois seriam feitos testes em humanos. Com os investimentos necessários, o início dos testes em humanos deverá ocorrer em sete anos, diz Santos.Uma parte da pesquisa está sendo desenvolvida em Pittsburgh, na Pensilvânia (EUA), pela pesquisadora Andréia Cristina Karklin Fontana, que integra a equipe. O estudo foi publicado na revista americana Molecular Pharmacology no final de 2007.
Veneno de sapo é apreendido em casa de empresário de Pindamonhangaba
Homem teria aplicado o produto em comerciante de 52 anos, que morreu. Ele se apresentou à polícia e disse que cedia o veneno a amigos sem cobrar nada.
Um empresário do setor de transportes de Pindamonhangaba, a 145 km de São Paulo, se apresentou à polícia no fim da manhã desta sexta-feira (25). Ele é suspeito de ter aplicado o veneno de sapo conhecido como kambô no comerciante de 52 anos que morreu após usar o produto.
Por volta das 16h30, a polícia fez uma busca na casa do suspeito e encontrou mais pedaços de madeira com kambô. “São umas lascas de madeira, que, segundo ele (o empresário), são vendidas no Acre. Tem como se fosse uma cola em cima, uma substância resinosa, que nada mais é que a substancia que fica na pele do sapo”, explica o delegado Vicente Lagioto, titular do 1º Distrito Policial de Pindamonhangaba, que investiga o caso.
Segundo o delegado, o suspeito disse ter comprado as lascas por R$ 50 a unidade. Cada uma teria veneno suficiente para 10 aplicações. Lagioto contou que o empresário estava bastante emocionado ao depor nesta sexta-feira. “Ele está traumatizado, não estava esperando a morte”, relata o delegado.
Ainda de acordo com Lagioto, o suspeito disse que aplicou o kambô em si mesmo por seis vezes. Ele teria contado a conhecidos sobre os benefícios do veneno. “Aí, uns amigos pediram para aplicar. Um amigo chamou outro e virou isso”, diz o delegado.
Lagioto afirma que o empresário não foi indiciado. “Estamos aguardando o resultado do laudo para ver que crimes poderão ser caracterizados. Pode ser homicídio, exercício irregular de medicina e até crime ambiental, já que ele (o suspeito) retirou material da fauna silvestre e deixou o sapo sem proteção.”
Um empresário do setor de transportes de Pindamonhangaba, a 145 km de São Paulo, se apresentou à polícia no fim da manhã desta sexta-feira (25). Ele é suspeito de ter aplicado o veneno de sapo conhecido como kambô no comerciante de 52 anos que morreu após usar o produto.
Por volta das 16h30, a polícia fez uma busca na casa do suspeito e encontrou mais pedaços de madeira com kambô. “São umas lascas de madeira, que, segundo ele (o empresário), são vendidas no Acre. Tem como se fosse uma cola em cima, uma substância resinosa, que nada mais é que a substancia que fica na pele do sapo”, explica o delegado Vicente Lagioto, titular do 1º Distrito Policial de Pindamonhangaba, que investiga o caso.
Segundo o delegado, o suspeito disse ter comprado as lascas por R$ 50 a unidade. Cada uma teria veneno suficiente para 10 aplicações. Lagioto contou que o empresário estava bastante emocionado ao depor nesta sexta-feira. “Ele está traumatizado, não estava esperando a morte”, relata o delegado.
Ainda de acordo com Lagioto, o suspeito disse que aplicou o kambô em si mesmo por seis vezes. Ele teria contado a conhecidos sobre os benefícios do veneno. “Aí, uns amigos pediram para aplicar. Um amigo chamou outro e virou isso”, diz o delegado.
Lagioto afirma que o empresário não foi indiciado. “Estamos aguardando o resultado do laudo para ver que crimes poderão ser caracterizados. Pode ser homicídio, exercício irregular de medicina e até crime ambiental, já que ele (o suspeito) retirou material da fauna silvestre e deixou o sapo sem proteção.”
Laboratório é acusado pela intoxicação de empregados
A multinacional farmacêutica Eli Lilly e a ABL Antibióticos podem ser condenadas a pagar indenização de R$ 300 milhões a um grupo de 80 ex-funcionários. A Procuradoria Regional do Trabalho de Campinas (SP) ajuizou uma ação civil pública na 2ª Vara do Trabalho de Paulínia, pedindo a indenização por dano moral coletivo em decorrência da contaminação dos trabalhadores por substâncias tóxicas e metais pesados.Nas 91 páginas da ação acatada pelo promotor de Paulínia Guilherme Duarte Conceição, os funcionários acusam a empresa de ser a causadora da contaminação de seus organismos por substâncias tóxicas e metais, alguns deles cancerígenos, lançados no incinerador da indústria usado para queimar lixo tóxico, entre 1998 e 2002. ?Existem indícios de que a contaminação também possa ter ocorrido por causa de um incinerador que funciona na empresa, no qual são queimados produtos químicos?, diz o promotor.Dos 80 funcionários que foram examinados pelo toxicologista da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Igor Vassilieff, apenas 3 não apresentaram no organismo a presença de pelo menos um dos metais utilizados na fabricação dos remédios da empresa e considerados cancerígenos - alumínio, arsênio, cádmio, césio, chumbo, mercúrio, níquel, tálio e urânio.A ação determina que seja criada, com R$ 150 milhões da indenização, uma fundação para dar suporte assistencial aos ex-trabalhadores. Outros R$ 100 milhões serão aplicados na doação de bens e equipamentos para hospitais públicos, filantrópicos e assistenciais que prestem serviço ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os R$ 50 milhões restantes deverão ser revertidos para o Fundo de Apoio do Trabalhador (FAT). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
segunda-feira, 14 de abril de 2008
VENENO DE COBRAS CONSEGUE IMPEDIR O AVANÇO DO VÍRUS DA AIDS
VENENO DE COBRAS CONSEGUE IMPEDIR O AVANÇO DO VÍRUS DA AIDS, INDICA ESTUDO DA USP DE RIBEIRÃO PRETO
07/04/2008 – 10h55
Proteínas extraídas do veneno de cascavel e jararacas conseguiram inibir em testes in-vitro o vírus da Aids. As peçonhas brasileiras, que estão sendo estudadas por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, atingiram apenas o agente e impediram o avanço do HIV tanto na fase de replicação quanto na entrada dele na célula. De acordo com o professor Andreimar Martins Soares, do Departamento de Análises Clínicas, Toxicológicas e Bromatológicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, que coordena o estudo há dois anos em parceria como Hemocentro, os resultados ainda são preliminares e precisam ser testados em animais e em pacientes antes de significarem uma cura, mas já confirmam o potencial dessas toxinas. Soares, que trabalha há 16 anos com venenos de serpentes e há 10 com plantas medicinais anti-veneno, disse que a toxicologia é uma das áreas que mais cresce no mundo por causa do potencial para fármacos e até para a cosmética. “Várias proteínas de peçonhas já são aplicados comercialmente, o melhor exemplo é o remédio Captopril, desenvolvido aqui na USP de Ribeirão pelo professor Sérgio Henrique Ferreira e sintetizado a partir do veneno de jararaca, que se tornou o remédio para pressão mais usado no mundo”, afirmou.Segundo o professor, os venenos animais tem se mostrado eficientes contra tumores e variados fungos, bactérias e vírus. Soares disse que já há estudos no País que demonstram o uso de venenos no combate à dengue e a agentes de doenças como a esquitossomose, leishmaniose e chagas. Como os venenos têm um custo alto —um grama de veneno de uma cascavel custa cerca de R$ 300 e o grama do de jararaca pode chegar até R$ 900—-, esse tipo de pesquisa não é fácil no Brasil. “Agora, como a universidade está começando a fazer parcerias com empresas, aumentam as chances de conseguirmos patentear e de levarmos para a fase clínica, mas conseguir recursos é sempre uma luta”, declarou Soares. O trabalho do professor conta com uma equipe de 16 pessoas, entre alunos da graduação e da pós, além de parcerias com outras universidades do País e internacionais. BIOPIRATARIASoares disse que um dos principais problemas enfrentado hoje no campo de toxicologia é a biopirataria. O professor afirmou que já chegou a acessar um site francês que vendia venenos que só existem no Brasil. “Como eles conseguiram? Alguém daqui vendeu, só que esses estrangeiros vão sintetizar e patentear o veneno e depois vender por milhares de euros, inclusive para os brasileiros”, declarou Soares, para quem fiscalização e conscientização são as únicas formas de combate.Peçonha de coral vale até US$ 140 milVenenos de serpentes valem mais que metais preciosos. O grama da peçonha da cascavel, que é uma das mais produzidas, por exemplo, chega a custar seis vezes mais que o grama de ouro, cotado a R$ 50. Outros venenos mais raros e difíceis de extrair, como o da coral verdadeira, podem chegar a US$ 14 mil o grama no mercado internacional. A extração, porém, leva tempo —20 cascavéis rendem um grama por mês e para juntar a mesma quantia de uma coral, pode levar dois anos. Quanto ao licenciamento ambiental, todas os novos pedidos para serpentários estão suspensos desde o ano passado e só devem ser retomados quando o Ibama liberar a nova instrução normativa —o que não deve acontecer antes do final do ano. Cuidar de animais é muito difícilVeterinário de animais silvestres, Gustavo César Fazio, 32, tenta autorização para um serpentário. “O custo para manter serpentes não é tão alto perto do lucro, o valor agregado por cabeça é melhor que o de gado, mas tem que ser feito cumprindo a legislação e tratando bem o bicho, que é muito frágil”, disse Fazio. Alexandra Sandrin, 47, e Carla Zanchi, 44, são donas de um dos três serpentários autorizado da região e trabalham no ramo há 12 anos. “Cobras precisam de manutenção diária, porque qualquer estresse, como mudança de temperatura, faz com que elas adoeçam e morram”, disse Alexandra, que é bióloga. Para Carla, novos criadouros ajudariam na preservação de exemplares que estão em extinção.
Fonte: Gazeta de Ribeirão
Danielle Castro
07/04/2008 – 10h55
Proteínas extraídas do veneno de cascavel e jararacas conseguiram inibir em testes in-vitro o vírus da Aids. As peçonhas brasileiras, que estão sendo estudadas por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, atingiram apenas o agente e impediram o avanço do HIV tanto na fase de replicação quanto na entrada dele na célula. De acordo com o professor Andreimar Martins Soares, do Departamento de Análises Clínicas, Toxicológicas e Bromatológicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, que coordena o estudo há dois anos em parceria como Hemocentro, os resultados ainda são preliminares e precisam ser testados em animais e em pacientes antes de significarem uma cura, mas já confirmam o potencial dessas toxinas. Soares, que trabalha há 16 anos com venenos de serpentes e há 10 com plantas medicinais anti-veneno, disse que a toxicologia é uma das áreas que mais cresce no mundo por causa do potencial para fármacos e até para a cosmética. “Várias proteínas de peçonhas já são aplicados comercialmente, o melhor exemplo é o remédio Captopril, desenvolvido aqui na USP de Ribeirão pelo professor Sérgio Henrique Ferreira e sintetizado a partir do veneno de jararaca, que se tornou o remédio para pressão mais usado no mundo”, afirmou.Segundo o professor, os venenos animais tem se mostrado eficientes contra tumores e variados fungos, bactérias e vírus. Soares disse que já há estudos no País que demonstram o uso de venenos no combate à dengue e a agentes de doenças como a esquitossomose, leishmaniose e chagas. Como os venenos têm um custo alto —um grama de veneno de uma cascavel custa cerca de R$ 300 e o grama do de jararaca pode chegar até R$ 900—-, esse tipo de pesquisa não é fácil no Brasil. “Agora, como a universidade está começando a fazer parcerias com empresas, aumentam as chances de conseguirmos patentear e de levarmos para a fase clínica, mas conseguir recursos é sempre uma luta”, declarou Soares. O trabalho do professor conta com uma equipe de 16 pessoas, entre alunos da graduação e da pós, além de parcerias com outras universidades do País e internacionais. BIOPIRATARIASoares disse que um dos principais problemas enfrentado hoje no campo de toxicologia é a biopirataria. O professor afirmou que já chegou a acessar um site francês que vendia venenos que só existem no Brasil. “Como eles conseguiram? Alguém daqui vendeu, só que esses estrangeiros vão sintetizar e patentear o veneno e depois vender por milhares de euros, inclusive para os brasileiros”, declarou Soares, para quem fiscalização e conscientização são as únicas formas de combate.Peçonha de coral vale até US$ 140 milVenenos de serpentes valem mais que metais preciosos. O grama da peçonha da cascavel, que é uma das mais produzidas, por exemplo, chega a custar seis vezes mais que o grama de ouro, cotado a R$ 50. Outros venenos mais raros e difíceis de extrair, como o da coral verdadeira, podem chegar a US$ 14 mil o grama no mercado internacional. A extração, porém, leva tempo —20 cascavéis rendem um grama por mês e para juntar a mesma quantia de uma coral, pode levar dois anos. Quanto ao licenciamento ambiental, todas os novos pedidos para serpentários estão suspensos desde o ano passado e só devem ser retomados quando o Ibama liberar a nova instrução normativa —o que não deve acontecer antes do final do ano. Cuidar de animais é muito difícilVeterinário de animais silvestres, Gustavo César Fazio, 32, tenta autorização para um serpentário. “O custo para manter serpentes não é tão alto perto do lucro, o valor agregado por cabeça é melhor que o de gado, mas tem que ser feito cumprindo a legislação e tratando bem o bicho, que é muito frágil”, disse Fazio. Alexandra Sandrin, 47, e Carla Zanchi, 44, são donas de um dos três serpentários autorizado da região e trabalham no ramo há 12 anos. “Cobras precisam de manutenção diária, porque qualquer estresse, como mudança de temperatura, faz com que elas adoeçam e morram”, disse Alexandra, que é bióloga. Para Carla, novos criadouros ajudariam na preservação de exemplares que estão em extinção.
Fonte: Gazeta de Ribeirão
Danielle Castro
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