É notável o crescimento da pós-graduação na UFMT, acentuadamente a partir de 2002.
A afirmação é da pró-reitora de Pós-Graduação da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Marinêz Isaac Marques. Naquele ano havia apenas quatro cursos de mestrado e em 2007 passamos para 21 mestrados e dois doutorados. Esse crescimento, que de 2005 a 2007 foi de 90%, é resultado das ações desenvolvidas nos últimos cinco anos, a partir de discussões com diversos grupos de pesquisadores e da orientação de consultores da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) na elaboração de propostas dos novos cursos. Em 2007, a pós-graduação tinha 811 alunos matriculados no mestrado e doutorado e 1.687 na especialização. Foram investidos R$ 674.240,00 em bolsas e custeios.
´´O crescente desenvolvimento tecnológico e econômico no estado de Mato Grosso, seus impactos ambientais e sociais e a abertura de novas fronteiras agrícolas, são realidades que impuseram novos desafios à UFMT. Em resposta, a Universidade vem buscando a excelência na produção de novos conhecimentos e na formação de recursos humanos de alto nível``, explicita o Relatório. Na área de Educação é difícil calcular a contribuição para a realidade do Estado, diz o coordenador do mestrado em Educação, Nicanor Palhares Sá. Isso porque, nos 20 anos de instalação do curso, que se completam agora em março, já foram formados mais de 540 mestres, o que significa mais de 540 trabalhos de pesquisa produzidos, somente pelos discentes. Esse número se eleva consideravelmente com a produção científica docente. Um exemplo, da produção do Programa de Pós-Graduação em Educação é a ´´Revista de Educação``, publicada por meio da Editora Universitária (EdUFMT). Em 2007 o periódico foi avaliado pela Associação Nacional de Pós-Graduação em Educação (Amped) e obteve a classificação ´´Nacional A``. Isso significa que este ano, quando for avaliado pela Capes, receberá a classificação ´´Qualis Nacional A``, explica o professor.
Palhares Sá observa que nesses 20 anos houve contribuição direta na elaboração de políticas públicas e gestão; estudos sobre movimentos sociais e educação, relacionado-os com o Estado; história da educação, em que foi refeita toda a trajetória da educação em Mato Grosso, o que é muito importante na formação do educador; em Educação Ambiental, fundamental no contexto regional, do Brasil e do mundo, além das contribuições didáticas, pedagógicas e de qualificação de pessoal para a própria UFMT. ´´Hoje, muitos dos nossos alunos da graduação são doutores em Educação``, frisa. Uma contribuição concreta e essencial na histórica para Mato Grosso foi a redação da proposta da Constituição do Estado, a partir de emenda popular, por integrantes do programa de mestrado, recorda.
Mas o desafio maior desse primeiro curso de pós-graduação da UFMT, analisa o coordenador, era criar as condições para o desenvolvimento acadêmico e construir o ambiente de debate acadêmico. ´´Em 1984 a UFMT tinha somente 12 doutores, em 1993 tentou-se ampliar o quadro incorporando doutores das diversas licenciaturas``. Hoje, a UFMT conta com 496, e o ambiente mudou radicalmente com a existência de tantos outros cursos. Um dos mais novos é o mestrado em Ciência Animal, que teve sua primeira defesa de dissertação no final de novembro do ano passado. ´´O curso está conseguindo estrutura de laboratórios, como o de Nutrição Animal, que foi recentemente construído e atende à graduação em Agronomia e Medicina Veterinária e à pós-graduação``, avalia o coordenador, Joanis Tilemahos Zervoudakis. Essa estrutura, construída por meio de projetos de pesquisas aprovados em editais do CNPq e Fapemat, se reflete em melhorias na Fazenda Experimental, em setores como bovinocultura de corte, ovinos, suinocultura e laticínio-escola , e nas condições das aulas práticas.
O Mestrado em Ciência Animal, acrescenta, intensifica suas linhas de pesquisa agregando o maior número de pesquisadores dessa área no Estado, incluindo docentes dos campi de Cuiabá, Rondonópolis e Sinop. ´´Começamos a ter contato com outras instituições, como a Embrapa Campo Grande, de onde recebemos pesquisadores, e a Universidade Federal de Viçosa, uma das melhores da América Latina``, adianta. Com a UFV deve ser iniciado um convênio em Zootecnia por meio do Programa Nacional de Cooperação Acadêmica (Procad), da Capes, que objetiva a formação de recursos humanos de alto nível. O convênio foi um dos poucos, de cursos novos, aprovados no Brasil e prevê a vinda de pesquisadores à UFMT, para orientação, e a ida de alunos à UFV, para cursar disciplinas, com apoio na forma de passagens e diárias.
Os dois mais recentes cursos de mestrado da UFMT são o de ´´Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO)`` e o de Biociências. Ambos se enquadram na área Multidisciplinar da Capes e iniciaram a primeira turma este mês. O ECCO ´´atende às exigências das transformações da sociedade e da própria ciência. Por um lado, temos na região, nos últimos 40 anos, uma avalanche de transformações de toda ordem provocadas pela migração e ocupação massivas, aos quais se imbricam os processos mundiais de circulação global de pessoas, de bens e de valores. As implicações sociais e culturais são incalculáveis. É tarefa, deste Programa, sondar, descrever, avaliar, criticar esses processos em suas dimensões globais ou transnacionais e em suas particularidades locais``. Conta com 16 docentes pesquisadores, com doutorado em Música, Comunicação e Semiótica, Filosofia, Educação, Comunicação e Cultura, Sociologia, Antropologia Social, Ciências da Comunicação e História Social.
O mestrado em Biociências, da Faculdade de Nutrição, tem o objetivo de formar recursos humanos de nível superior aptos a desenvolver pesquisa científica original e relevante, que amplie as fronteiras do conhecimento universal em Biociências; exercer a docência com alta qualidade; possibilitar a produção de conhecimento técnico-científico, consolidando e favorecendo a expansão de grupos e linhas de pesquisa e criar estrutura para a abertura do doutorado. Este curso congrega doze docentes pesquisadores, com formação básica diversificada (nutricionistas, farmacêuticos bioquímicos, educadores físicos, biólogos e físicos), com doutoramento em diferentes áreas do conhecimento (Nutrição, Bioquímica, Clínica Médica, Ciências da Motricidade, Biologia Funcional e Molecular e Saúde Coletiva) e com cinco laboratórios devidamente equipados para a realização de suas pesquisas.
A política de pós-graduação da UFMT visa a, também, ´´apoiar e incentivar a capacitação dos servidores para que possamos ter no mais curto espaço de tempo, a maioria deles qualificados, com seus mestrados, doutorados e pós-doutorados concluídos``, completa a pró-reitora. Dessa forma, a UFMT tem investido na oferta de mestrados e doutorados interinstitucionais, conhecidos como Minter e Dinter, respectivamente. Esses cursos são oferecidos pela Capes e possibilitam a capacitação de um maior número de docentes, em um menor espaço de tempo. Está em andamento um Dinter na área de Enfermagem, oferecido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e brevemente iniciaremos um Minter em Administração, oferecido pela Federal de Minas Gerais (UFMG), adianta Marinêz Marques. Além dessa, estão em fase avançada de negociação dois projetos de mestrado interinstitucional, um em Ciência da Computação e outro em Pediatria, ambos com a USP, e um Dinter em Arquitetura, com a Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Em 2007 foram realizados 53 cursos de especialização, dos quais 19 iniciaram suas atividades naquele ano, e 35 estão já estavam em andamento. A meta é ampliar em 30% a oferta desses cursos, que são criados a partir da demanda social a cada área, com aprovação dos colegiados da UFMT.
Consolidação - ´´Verifica-se, portanto, uma forte consolidação da Pós-Graduação da UFMT, demonstrando um salto na qualidade e quantidade de seus cursos, refletindo o esforço de todos os envolvidos, e a decisão de priorizar suas ações neste sentido.`` Mas é preciso, ainda, criar novos doutorados para a fixação de doutores na Região da Amazônia Legal. Neste sentido, a UFMT participa do programa ´´Ciência na Amazônia para o Brasil - Acelera Amazônia``, da Capes. Por meio desse programa, deverão vir novos doutorados. Os mestrados em Historia, Educação e Ecologia e Conservação da Biodiversidade estão preparando propostas para envio em 2008 e 2009.
O crescente aumento no número dos Programas de Pós-graduação tornou necessária a realização do I Seminário de Avaliação da Pós-Graduação da UFMT – Refletir para Consolidar. Organizado pela Propg, o evento ocorreu em maio do ano passado com a participação do diretor de Avaliação da Capes, Emídio Cantídio, e do professor José Luiz Fiorin, docente da USP, como conferencistas, e de 17 representantes de áreas do conhecimento da Capes. Em oficinas específica, foi traçado um panorama da pós-graduação e apontados os rumos que cada programa deverá tomar. Por ocasião desse seminário, pela primeira vez, houve a participação da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), propiciando maior integração dos discentes da UFMT e a criação da APG da UFMT.
Fonte: http://www.odocumento.com.br/noticia.php?id=257181
segunda-feira, 7 de abril de 2008
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