Veneno contra o HIV
Pesquisa da USPProteína de peçonha de cobras inibe a propagação do vírus da Aids
Proteínas extraídas do veneno de cascavel e jararacas conseguiram inibir em testes in-vitro o vírus da Aids. As peçonhas brasileiras, que estão sendo estudadas por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, atingiram apenas o agente e impediram o avanço do HIV tanto na fase de replicação quanto na entrada dele na célula.De acordo com o professor Andreimar Martins Soares, 35 anos, do Departamento de Análises Clínicas, Toxicológicas e Bromatológicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, que coordena o estudo há dois anos em parceria como Hemocentro, os resultados ainda são preliminares e precisam ser testados em animais e em pacientes antes de significarem uma cura, mas já confirmam o potencial dessas toxinas. Soares, que trabalha há 16 anos com venenos de serpentes e há 10 com plantas medicinais anti-veneno, disse que a toxicologia é uma das áreas que mais cresce no mundo por causa do potencial para fármacos e até para a cosmética. “Várias proteínas de peçonhas já são aplicados comercialmente, o melhor exemplo é o remédio Captopril, desenvolvido aqui na USP de Ribeirão pelo professor Sérgio Henrique Ferreira e sintetizado a partir do veneno de jararaca, que se tornou o remédio para pressão mais usado no mundo”, afirmou.Segundo o professor, os venenos animais tem se mostrado eficientes contra tumores e variados fungos, bactérias e vírus. Soares disse que já há estudos no País que demonstram o uso de venenos no combate à dengue e a agentes de doenças como a esquitossomose, leishmaniose e chagas. Como os venenos tem um custo alto —um grama de veneno de uma cascavel custa cerca de R$ 300 e o grama do de jararaca pode chegar até R$ 900—-, esse tipo de pesquisa não é fácil no Brasil. “Agora, como a universidade está começando a fazer parcerias com empresas, aumentam as chances de conseguirmos patentear e de levarmos para a fase clínica, mas conseguir recursos é sempre uma luta”, declarou Soares. O trabalho do professor conta com uma equipe de 16 pessoas, entre alunos da graduação e da pós, além de parcerias com outras universidades do País e internacionais.
BIOPIRATARIA
Soares disse que um dos principais problemas enfrentado hoje no campo de toxicologia é a biopirataria. O professor afirmou que já chegou a acessar um site francês que vendia venenos que só existem no Brasil. “Como eles conseguiram? Alguém daqui vendeu, só que esses estrangeiros vão sintetizar e patentear o veneno e depois vender por milhares de euros, inclusive para os brasileiros”, declarou Soares, para quem fiscalização e conscientização são as únicas formas de combate.DEBATEPara esclarecer dúvidas sobre serpentários, o veterinário Gustavo Fazio e criadora Carla Zanchi organizam uma mesa-redonda gratuita. Os interessados devem mandar um e-mail para: carlazanchi@uol.com.brPeçonha de coral vale até US$ 140 milVenenos de serpentes valem mais que metais preciosos. O grama da peçonha da cascavel, que é uma das mais produzidas, por exemplo, chega a custar seis vezes mais que o grama de ouro, cotado a R$ 50. Outros venenos mais raros e difíceis de extrair, como o da coral verdadeira, podem chegar a US$ 14 mil o grama no mercado internacional. A extração, porém, leva tempo —20 cascavéis rendem um grama por mês e para juntar a mesma quantia de uma coral, pode levar dois anos. Quanto ao licenciamento ambiental, todas os novos pedidos para serpentários estão suspensos desde o ano passado e só devem ser retomados quando o Ibama liberar a nova instrução normativa —o que não deve acontecer antes do final do ano. Cuidar de animais é muito difícilVeterinário de animais silvestres, Gustavo César Fazio, 32, tenta autorização para um serpentário. “O custo para manter serpentes não é tão alto perto do lucro, o valor agregado por cabeça é melhor que o de gado, mas tem que ser feito cumprindo a legislação e tratando bem o bicho, que é muito frágil”, disse Fazio. Alexandra Sandrin, 47, e Carla Zanchi, 44, são donas de um dos três serpentário autorizado da região e trabalham no ramo há 12 anos. “Cobras precisam de manutenção diária, porque qualquer estresse, como mudança de temperatura, faz com que elas adoeçam e morram”, disse Alexandra, que é bióloga. Para Carla, novos criadouros ajudariam na preservação de exemplares que estão em extinção.
Fonte:DANIELLE CASTRO
Gazeta de Ribeirãodanielle.castro@gazetaderibeirao.com.br
http://www.gazetaderibeirao.com.br/conteudo/mostra_noticia.asp?noticia=1570520&area=92020&authent=0570CFFFA36300BCC9C46433DAB9B7
segunda-feira, 7 de abril de 2008
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